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sábado, 17 de abril de 2010

Nostalgia se aloja em mim.

Eu procuro nesse silêncio gritante, nesse vazio preenchido que transborda palavras, mas tudo que eu tenho são arrepios e lágrimas.
Você me trás coisas tão boas que chega a ser ruim. Eu queria falar tantas coisas, a começar por todos os desejos e tormentos que você me causa. Sabe, você tava certo, eu só poderia saber se gostava realmente de você se o visse pessoalmente, e depois de ontem, eu só posso chorar a saber da verdade.
Eu não me importaria de pagar o preço para não ter essa imagem na minha cabeça, sem o fim que eu quero. Eu tenho medo de que com o passar do tempo a imagem do teu rosto tão perto, da tua boca, teus olhos, sumam, e então eu vou lembrar mas não mais visualizar, eu queria o filme das cenas de ontem, de você olhando para o nada, de você pensando e eu ficando atordoada com teu silêncio, de você piscando com tanta frequência, do seu jeito de sorrir, da nossa conversa. Da tua voz, do teu olhar que me maltrata. Da tua cara de diabético olhando e desejando um doce, sabendo que não pode come-lo, porque não é certo.
Eu pensei que te conhecer seria ótimo, mas talvez fosse melhor antes disso, afinal eu nunca saberia de como é a textura da tua pele, o como você mexe no cabelo, como anda, como tem um cheiro agradável, eu não saberia como teu abraço é bom, ou como teu peitoral fica marcado na camisa mesmo sem você ser 'sarado', ou não ia saber como é que você fala, quero dizer, como fala gesticulando, eu não teria ficado tão perto de você, acho que toda a proximidade que teve agora me parece uma distancia inquebrável, eu queria não me importar com o que você ia sentir, eu queria não ser culpada por ter sido daquele jeito. E agora eu estou chorando de saudades, de vontade de saber onde você está, se está pensando em mim, se... se para você foi tudo o que foi para mim. Droga, eu me apaixonei por você, isso não podia acontecer.
Eu não quero aceitar ser só tua amiga, eu não quero lembrar do quanto eu estive perto dos teus lábios, de como você segurou na minha nuca, de como esteve tão perto e de como foi o mais perto que tivemos.
Eu queria poder esquecer de todas as cenas que agora tenho na cabeça ou então poder congelar o resto do mundo, deixar tudo em câmera lenta e só nós dois vivendo tudo o que para mim foi... o suficiente para me deixar assim. Arrepiada, nostálgica, com medo do que eu penso que estou sentindo.
Eu queria poder ter ido além daqueles menos de dez centímetros, ter sentido teus lábios no meus nem que só um toque superficial, seria o que eu precisaria, mesmo que as consequências fossem ruins, mesmo que fosse algo errado, mesmo que depois só estivesse mais convicta do que sinto agora, sinto isso me fazer arrepiar e temer. Mas sinto, não dá para esconder, eu não consigo esconder nada de você.

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