É estranho mas quando se pensa em um o dois vem depois, quando se pensa no dois o um faz-se presente antes. E eu acho tudo isso muito estranho, é amar e gostar, dosagem diferentes mas que causam um sentimento em comum, a saudade, a lembrança. Não posso ficar sem o um que a saudade é tanta, mas qualquer coisa me trás a lembrança do dois. E quando eu sinto saudade do dois, logo lembro do um e como é estranho sentir isso pelo dois.
E então eu me pergunto, será que mesmo amando a um o coração ainda tem espaço para gostar d’outro? Será que mesmo que o destino colocaria o ideal no caminho mesmo quando o percurso que é feito a dois já é um belo conto de amor? Então, eu pergunto por fim, será que a proporção pode se alterar? Será que um dia a realidade vai mudar? E o que me faz feliz e presente vai ser uma lembrança e ausente, e o ideal e impossível, vai ser a realidade e tocável? Ou será que o presente vai tornar-se o único e o ideal amizade pura, sem desejos e tentações?
E até lá, meu Deus, como eu vou viver? Como em um só coração, em uma só mente, dois habitaram?
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